Hiv / Aids
A Guerra contra o vírus HIV
Veja como nosso conhecimento pode ajudar a combater um vírus mortal
Introdução
Há
alguns anos atrás, o diagnóstico de HIV-positivo deixava os
pacientes com poucas esperanças. Contudo, atualmente, os novos
medicamentos e uma melhor compreensão de como a doença causada pelo
HIV destrói o sistema imunológico, permitem que muitas pessoas vivam
confortavelmente com a doença, por muitos anos.
Mas, por
que é necessário tomar tantos tipos de pílulas diferentes?
E por que é tão importante que as pessoas infectadas pelo
HIV, tomem suas pílulas no horário e sigam todas as instruções
determinadas nas prescrições feitas por seus médicos?
Nós exploraremos essas dúvidas e analisaremos como as
pessoas infectadas pelo HIV podem ajudar a lutar na Guerra Contra
o HIV.
Para compreender como estamos lutando nessa
Guerra, precisamos compreender duas coisas: Primeiro, como o Vírus
da Imunodeficiência Humana ataca o organismo; e segundo, (uma vez
iniciado o tratamento), como podemos evitar que o vírus desenvolva
resistência aos medicamentos.
CD4+...o Campo de Batalha Celular
Primeiro, o HIV, na corrente sangüínea,
liga-se a uma célula CD4, e a transforma em uma fábrica de HIV. No
organismo de uma pessoa infectada, esse processo produz bilhões de
vírus HIV por dia.
Nós, veremos, de uma maneira bem
simplificada, como o vírus faz isso... como ele transforma uma
célula CD4, muito benéfica, no inimigo... e depois, como as terapias
medicamentosas estão nos auxiliando na Guerra Contra o HIV.

Uma vez ligado
à célula CD4, duas cadeias isoladas de RNA de HIV penetram na célula
CD4. O RNA do HIV carrega as instruções para produzir mais vírus,
mas não é capaz de se reproduzir até que se transforme em DNA de
HIV. Apenas uma das duas cadeias de RNA realmente infectará a célula
CD4. A outra, é simplesmente um "back-up", no caso de acontecer
alguma coisa com a primeira cadeia.
Para se reproduzir, o RNA de
cadeia isolada deve ser convertido em DNA de cadeia dupla. Isso
ocorre com uma enzima conhecida como transcriptase reversa.

O DNA do HIV move-se para o núcleo da célula CD4, onde torna-se parte do DNA da própria célula CD4. O DNA é o comandante celular, que instrui a célula CD4.

Uma vez
incorporado à célula CD4, o DNA do HIV controla a célula e a instrui
para produzir o vírus HIV na forma de uma proteína. Ocasionalmente,
ocorrem erros na produção da proteína. Esses erros - ou mutações -
podem ser benéficos para o vírus e prejudiciais para a pessoa que
está infectada, porque - como discutiremos mais tarde - as mutações
podem ajudar o vírus a resistir ao tratamento.
Depois de
produzida a proteína, outra enzima, chamada protease, divide a
proteína em cadeias instáveis que formam novos vírus na forma de
RNA. As cópias do vírus, são liberadas no organismo para atacarem
outras células CD4.
As células CD4 são encontradas em dois estágios quando foram invadidas pelo HIV... ativadas e inativas. As células CD4 ativadas foram "estimuladas" e estão se dividindo com o objetivo de lutar ativamente contra a infecção. As células CD4 inativas, não encontraram nenhuma infecção e estão esperando ser estimuladas para entrarem em ação.

Apesar das
células CD4 ativadas e inativas, estarem ambas infectadas pelo HIV,
as células ativadas reproduzem o vírus mais rápido e em maior
quantidade. Contudo, quando as células inativas são ativadas, também
produzem cópias do vírus, rapidamente e em grande quantidade.
É
importante que você saiba como o HIV funciona, então você pode
compreender como os diferentes tipos de drogas, chamados
anti-retrovirais, evitam que o vírus complete seu ciclo reprodutivo.

CD4+ Ativada ... Análogo Nucleosídeo
Timidina
A primeira
classe de anti-retrovirais a ser aprovada foram os "análogos de
nucleosídeos." Os análogos de nucleosídeos, evitam que o vírus
complete a formação do DNA viral. O vírus começa a construir seu
DNA, mas o análogo nucleosídeo não permite que ele complete o
processo. O DNA viral incompleto não é capaz de assumir o controle
do DNA da célula CD4 e produzir novas cópias do vírus.
Alguns
análogos de nucleosídeos, como o Zeritavir (d4T) e o Retrovir (AZT)
são conhecidos como análogos de nucleosídeos timidina. Essas drogas
têm como alvo as células CD4 ativadas - as células que estão se
dividindo ativamente e combatendo a infecção.

CD4+ Ativada ... Análogo Nucleosídeo
Não-Timidina
Os
análogos de nucleosídeos não-timidina como o Videx (ddI), Hivid (ddC), Epivir (3TC), têm como alvo as células CD4 inativas - as
células que estão esperando um estímulo para agir. Muitos médicos
prescreverão um análogo nucleosídeo timidina e um não-timidina,
assim a guerra contra o HIV ocorre contra o máximo de células CD4
possível para evitar que o HIV faça cópias de si mesmo.

Outra classe de drogas são os inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeo. Essas drogas - tal como a delavirdina e a nevirapina - inibem ou cessam a produção de HIV ligando-se à enzima transcriptase reversa em si, evitando que a enzima converta o RNA do HIV em DNA.

A
terceira classe de anti-retrovirais são os inibidores da protease,
como o Invirase (saquinavir), Crixivan (indinavir), Norvir (ritonavir) e Viracept
(nelfinavir) que agem no estágio final do
ciclo de reprodução do vírus. Essas drogas evitam que a protease
divida as proteínas do HIV, transformando-as em extensões úteis.
Isso significa que a proteína não pode ser aglutinada e liberada com
sucesso pela célula CD4 para causar mais prejuízos.
Nenhuma
droga é cem por cento eficaz para evitar que o vírus se reproduza. É
por isso que os médicos geralmente prescrevem vários
anti-retrovirais. Através da prescrição de drogas que agem em vários
locais e em diferentes estágios do processo de reprodução viral, é
mais difícil que o vírus sofra mutações e torne-se resistente.

Estratégias no Campo de Batalha
As
decisões de quando iniciar a terapia e que terapia usar, são tomadas
pelo médico com a participação do paciente, e se baseiam em muitos
fatores, incluindo as diretrizes recomendadas.
Entre os fatores
que os médicos levam em consideração antes de iniciarem a terapia
estão a carga viral (ou a quantidade de HIV no organismo), a
contagem de células CD4 e os sintomas de
AIDS.
Estratégias no Campo de Batalha
Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:
Carga viral aumentada
Contagem, de CD4+ reduzida
Quando
o HIV infecta inicialmente as células CD4, as células CD4 sadias
superam, em número, o HIV e são capazes de vencer a batalha interna
diária. Contudo, com o tempo, o organismo começa a perder a batalha.
Conforme o HIV começa a superar as defesas naturais do organismo, as
células CD4 tornam-se os "mortos e feridos" na guerra contra o HIV e
diminuem em quantidade.
Alguns médicos podem prescrever os
medicamentos independente da quantidade de carga viral ou da
contagem de células CD4. Uma vez que o objetivo do tratamento para o
HIV é reduzir a carga viral o máximo possível, quanto mais alta a
contagem da carga viral e mais baixa a contagem de células CD4,
maior a probabilidade do médico iniciar a terapia.
Estratégias no Campo de Batalha
Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:
Carga viral aumentada
Contagem, de CD4+ reduzida
Quanto mais alta a carga viral, maior a probabilidade de que será iniciada a terapia.
Todos os
pacientes com sintomas de infecção por HIV, tais como candidíase
mucosa, leucoplasia pilosa oral, febre crônica inexplicável,
sudorese noturna e perda de peso, devem ser submetidos à terapia
anti-retroviral.
Quando é introduzido um medicamento eficaz, a
carga viral começa a reduzir e o número de células CD4 aumenta. As
pessoas que conseguiram atingir uma redução da carga viral para
abaixo do nível de detecção, conseguiram o melhor resultado de
tratamento.
Cada droga é prescrita em dose que mostrou ser mais
eficaz, então, é importante que cada medicamento seja tomado
exatamente como prescrito, sem omitir nenhuma dose.
Estratégias no Campo de Batalha
Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:
Carga viral aumentada
Contagem, de CD4+ reduzida
Quanto mais alta a carga viral, maior a probabilidade de que será iniciada a terapia.
Quase sempre o tratamento é iniciado quando aparecem os sintomas.
Classes dos Agentes Anti-retrovirais
Os análogos de nucleosídeo timidina, como o Zeritavir (d4T) e o Retrovir (AZT) atacam as células CD4 ativadas. O D4T é administrado como uma cápsula de 40mg duas vezes ao dia, enquanto a dose de AZT é de uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia.
Classes dos Agentes Anti-retrovirais
| Classe da Droga | Atividade | Agentes | Posologia |
| Análogos de Nucleosídeos - Timidina | Interfere
no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas |
Zeritavir* (d4T, estavudina) Retrovir* (AZT, zidovudina) |
Uma
cápsula de 40mg 2 vezes ao dia Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia |
Os análogos de nucleosídeo não timidina, como o Videx (ddI), Hivid (ddC) e Epivir (3TC) agem com maior eficácia nas células CD4 Inativas. A dose de Videx é de dois comprimidos de 100mg, duas vezes ao dia; a de ddC é de um comprimido de 0,75mg 3 vezes ao dia e a de 3TC é de um comprimido de 150mg duas vezes ao dia.
Classes dos Agentes Anti-retrovirais
|
Classe da Droga
|
Atividade
|
Agentes
|
Posologia
|
| Análogos
de Nucleosídeos - Timidina |
Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas |
Zeritavir* Retrovir* |
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia |
| Análogos
de Nucleosídeos - Não Timidina |
Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. | Videx* (ddI, didanosina) Hivid* (ddc, alcitabina) EpivirTM (3TC, Lamivudina) |
Dois
comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia |
Os inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeo, como a delavirdina e nevirapina, ligam-se à enzima transcriptase reversa e evitam que converta o RNA do HIV em DNA. A dose de nevirapina é de um comprimido de 200mg duas vezes ao dia, e de delavirdina é de 4 cápsulas de 100mg três vezes ao dia.
Classes dos Agentes Anti-retrovirais
|
Classe da Droga
|
Atividade
|
Agentes
|
Posologia
|
| Análogos
de Nucleosídeos - Timidina |
Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas |
Zeritavir* Retrovir* |
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia |
| Análogos
de Nucleosídeos - Não Timidina |
Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. |
Videx* Hivid* EpivirTM |
Dois comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia |
| Inibidores da Transcriptase reversa não-nucleosídeos | Liga-se à enzima transcriptase reversa para evitar que o RNA do HIV se transforme em DNA do HIV . |
Viramune* Rescriptor |
Um comprimido de 200 mg 2 vezes ao dia |
Os inibidores da protease, como o Invirase (saquinavir), Crixivan (indinavir), Norvir (ritonavir) e Viracept (nelfinavir), evitam que a enzima protease organize e libere cópias de HIV da célula CD4 infectada. A dose de saquinavir é de três cápsulas de 200mg três vezes ao dia; de indinavir é de duas cápsulas de 400mg 3 vezes ao dia; de ritonavir é de seis cápsulas de 100mg duas vezes ao dia e de nelfinavir é de 2 cápsulas de 250mg 3 vezes ao dia.
Classes dos Agentes Anti-retrovirais
|
Classe
da Droga
|
Atividade
|
Agentes
|
Posologia
|
| Análogos de Nucleosídeos - Timidina | Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas |
Zeritavir* Retrovir* |
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia
Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia |
|
Análogos de Nucleosídeos - Não Timidina |
Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. | Videx* (ddI, didanosina) Hivid* (ddc, Zalcitabina) EpivirTM (3TC, Lamivudina) |
Dois
comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia |
| Inibidores da Transcriptase reversa não-nucleosídeos | Liga-se à enzima transcriptase reversa para evitar que o RNA do HIV se transforme em DNA do HIV . | Viramune* ( Nevirapina) Rescriptor (delavirdina) |
Um comprimido de 200 mg 2 vezes ao dia |
| Inibidores da Protease | Evita que cópias do HIV sejam feitas e liberadas com sucesso pelas células CD4+ infectadas. |
InviraseTM |
Três
cápsulas de 200mg 3 vezes ao dia Duas
cápsulas de 400mg 3 vezes ao dia Seis cápsulas de 100mg 2 vezes ao dia |
A Combinação Vencedora
Como
diferentes drogas atacam a infecção por HIV das células CD4 de
diferentes maneiras, os médicos podem prescrever duas ou mais drogas
para ajudar a combater a doença. Atualmente, os médicos prescrevem,
geralmente, uma combinação de drogas que inclui um análogo de
nucleosídeo timidina e um análogo de nucleosídeo não-timidina, como
o núcleo do tratamento. Algumas vezes, também acrescentam um
inibidor de protease.
Os médicos têm menos experiência com
inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeo; portanto, essas
drogas não são tão prescritas quanto as outras classes de drogas. A
terapia medicamentosa individualizada é baseada em vários fatores,
incluindo a história do paciente com HIV e o conhecimento que o
médico possui sobre o histórico clínico do paciente.
A Luta Contra a Resistência
Uma vez que uma pessoa infectada pelo HIV é submetida à terapia medicamentosa, é muito importante que a medicação seja tomada como prescrito - todas as doses, todos os dias - porque quando há omissões no tratamento, o vírus tem chance de "se recuperar".A Luta contra a resistência depende da aderência restrita à terapia medicamentosa.
O HIV pode sofrer mutações, criando vírus que não são afetados pelas drogas.
A terapia com drogas reduz as chances do vírus sofrer mutações. Um vírus mutante pode ser resistente a uma medicação mas não à outra.
A melhor maneira de lutar contra a resistência é tomar todos os medicamentos, todos os dias, conforme a prescrição médica.
Fonte: Bristol-Myers Squibb Brasil ... http://www.bristol.com.br/
Daniel Borges 05/02/2003