Aids - HIV A Guerra contra o vírus HIV

Informação Científica

A Biologia do HIV

HIV ou Human Immunodeficiency Virus (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um organismo interessante. Ao contrário de outros microorganismos como bactérias e fungos, os quais matam as células do corpo quando do lado de fora das mesmas, HIV invade as células saudáveis do hospedeiro humano.

HIV, um retrovírus, tem afinidade pelas células do sistema imune, especialmente linfócitos CD4. Células CD4 são responsáveis pela iniciação da resposta imune. Uma vez dentro de uma célula CD4, o vírus é capaz de replicar seu material genético de forma que quando esta célula entra em divisão o material genético viral que permitirá o vírus reproduzir mais vírus também é dividido.

Quando o HIV deixa a célula hospedeira, uma das mais importantes células do mecanismo de defesa do organismo, esta e destruída. O organismo humano ainda é capaz de iniciar uma resposta imune, mas a esta altura os principais combatentes estão sendo destruídos em números alarmantes pelos vírus em multiplicação.

Tem sido reportado que até 200 milhões de vírus podem ser produzidos e ate 2 bilhões de linfócitos podem ser destruídos por dia. Num determinado ponto, o sistema imuno humano torna-se deficiente e o paciente adquire uma ou várias infecções. Estas infecções são chamadas infecções oportunistas e ultimamente tornam-se a causa da morte de pessoas infectadas com HIV.


Veja como nosso conhecimento pode ajudar a combater um vírus mortal

Introdução

Há alguns anos atrás, o diagnóstico de HIV-positivo deixava os pacientes com poucas esperanças. Contudo, atualmente, os novos medicamentos e uma melhor compreensão de como a doença causada pelo HIV destrói o sistema imunológico, permitem que muitas pessoas vivam confortavelmente com a doença, por muitos anos.

Mas, por que é necessário tomar tantos tipos de pílulas diferentes?

E por que é tão importante que as pessoas infectadas pelo HIV, tomem suas pílulas no horário e sigam todas as instruções determinadas nas prescrições feitas por seus médicos?

Nós exploraremos essas dúvidas e analisaremos como as pessoas infectadas pelo HIV podem ajudar a lutar na Guerra Contra o HIV.

Para compreender como estamos lutando nessa Guerra, precisamos compreender duas coisas: Primeiro, como o Vírus da Imunodeficiência Humana ataca o organismo; e segundo, (uma vez iniciado o tratamento), como podemos evitar que o vírus desenvolva resistência aos medicamentos.

CD4+...o Campo de Batalha Celular

Primeiro, o HIV, na corrente sangüínea, liga-se a uma célula CD4, e a transforma em uma fábrica de HIV. No organismo de uma pessoa infectada, esse processo produz bilhões de vírus HIV por dia.
Nós, veremos, de uma maneira bem simplificada, como o vírus faz isso... como ele transforma uma célula CD4, muito benéfica, no inimigo... e depois, como as terapias medicamentosas estão nos auxiliando na Guerra Contra o HIV.

Uma vez ligado à célula CD4, duas cadeias isoladas de RNA de HIV penetram na célula CD4. O RNA do HIV carrega as instruções para produzir mais vírus, mas não é capaz de se reproduzir até que se transforme em DNA de HIV. Apenas uma das duas cadeias de RNA realmente infectará a célula CD4. A outra, é simplesmente um "back-up", no caso de acontecer alguma coisa com a primeira cadeia.

Para se reproduzir, o RNA de cadeia isolada deve ser convertido em DNA de cadeia dupla. Isso ocorre com uma enzima conhecida como transcriptase reversa.


O DNA do HIV move-se para o núcleo da célula CD4, onde torna-se parte do DNA da própria célula CD4. O DNA é o comandante celular, que instrui a célula CD4.

Uma vez incorporado à célula CD4, o DNA do HIV controla a célula e a instrui para produzir o vírus HIV na forma de uma proteína. Ocasionalmente, ocorrem erros na produção da proteína. Esses erros - ou mutações - podem ser benéficos para o vírus e prejudiciais para a pessoa que está infectada, porque - como discutiremos mais tarde - as mutações podem ajudar o vírus a resistir ao tratamento.

Depois de produzida a proteína, outra enzima, chamada protease, divide a proteína em cadeias instáveis que formam novos vírus na forma de RNA. As cópias do vírus, são liberadas no organismo para atacarem outras células CD4.

Células Ativas e Células Inativas

As células CD4 são encontradas em dois estágios quando foram invadidas pelo HIV... ativadas e inativas. As células CD4 ativadas foram "estimuladas" e estão se dividindo com o objetivo de lutar ativamente contra a infecção. As células CD4 inativas, não encontraram nenhuma infecção e estão esperando ser estimuladas para entrarem em ação.

Apesar das células CD4 ativadas e inativas, estarem ambas infectadas pelo HIV, as células ativadas reproduzem o vírus mais rápido e em maior quantidade. Contudo, quando as células inativas são ativadas, também produzem cópias do vírus, rapidamente e em grande quantidade.
É importante que você saiba como o HIV funciona, então você pode compreender como os diferentes tipos de drogas, chamados anti-retrovirais, evitam que o vírus complete seu ciclo reprodutivo.


CD4+ Ativada ... Análogo Nucleosídeo Timidina



A primeira classe de anti-retrovirais a ser aprovada foram os "análogos de nucleosídeos." Os análogos de nucleosídeos, evitam que o vírus complete a formação do DNA viral. O vírus começa a construir seu DNA, mas o análogo nucleosídeo não permite que ele complete o processo. O DNA viral incompleto não é capaz de assumir o controle do DNA da célula CD4 e produzir novas cópias do vírus.
Alguns análogos de nucleosídeos, como o Zeritavir (d4T) e o Retrovir (AZT) são conhecidos como análogos de nucleosídeos timidina. Essas drogas têm como alvo as células CD4 ativadas - as células que estão se dividindo ativamente e combatendo a infecção.



CD4+ Ativada ... Análogo Nucleosídeo Não-Timidina


Os análogos de nucleosídeos não-timidina como o Videx (ddI), Hivid (ddC), Epivir (3TC), têm como alvo as células CD4 inativas - as células que estão esperando um estímulo para agir. Muitos médicos prescreverão um análogo nucleosídeo timidina e um não-timidina, assim a guerra contra o HIV ocorre contra o máximo de células CD4 possível para evitar que o HIV faça cópias de si mesmo.


Inibidor da Transcriptase Reversa Não-Nucleosideo

Outra classe de drogas são os inibidores da transcriptase reversanão-nucleosídeo. Essas drogas - tal como a delavirdina e a nevirapina - inibem ou cessam a produção de HIV ligando-se à enzima transcriptase reversa em si, evitando que a enzima converta o RNA do HIV em DNA.


Inibidor da Protease

A terceira classe de anti-retrovirais são os inibidores da protease, como o Invirase (saquinavir), Crixivan (indinavir), Norvir (ritonavir) e Viracept(nelfinavir) que agem no estágio final do ciclo de reprodução do vírus. Essas drogas evitam que a protease divida as proteínas do HIV, transformando-as em extensões úteis. Isso significa que a proteína não pode ser aglutinada e liberada com sucesso pela célula CD4 para causar mais prejuízos.
Nenhuma droga é cem por cento eficaz para evitar que o vírus se reproduza. É por isso que os médicos geralmente prescrevem váriosanti-retrovirais. Através da prescrição de drogas que agem em vários locais e em diferentes estágios do processo de reprodução viral, é mais difícil que o vírus sofra mutações e torne-se resistente.

Estratégias no Campo de Batalha

As decisões de quando iniciar a terapia e que terapia usar, são tomadas pelo médico com a participação do paciente, e se baseiam em muitos fatores, incluindo as diretrizes recomendadas.
Entre os fatores que os médicos levam em consideração antes de iniciarem a terapia estão a carga viral (ou a quantidade de HIV no organismo), a contagem de células CD4 e os sintomas de AIDS.

Estratégias no Campo de Batalha

Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:

Quando o HIV infecta inicialmente as células CD4, as células CD4 sadias superam, em número, o HIV e são capazes de vencer a batalha interna diária. Contudo, com o tempo, o organismo começa a perder a batalha. Conforme o HIV começa a superar as defesas naturais do organismo, as células CD4 tornam-se os "mortos e feridos" na guerra contra o HIV e diminuem em quantidade.
Alguns médicos podem prescrever os medicamentos independente da quantidade de carga viral ou da contagem de células CD4. Uma vez que o objetivo do tratamento para o HIV é reduzir a carga viral o máximo possível, quanto mais alta a contagem da carga viral e mais baixa a contagem de células CD4, maior a probabilidade do médico iniciar a terapia.

Estratégias no Campo de Batalha

Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:

Quanto mais alta a carga viral, maior a probabilidade de que será iniciada a terapia.

Todos os pacientes com sintomas de infecção por HIV, tais como candidíase mucosa, leucoplasia pilosa oral, febre crônica inexplicável, sudorese noturna e perda de peso, devem ser submetidos à terapiaanti-retroviral.
Quando é introduzido um medicamento eficaz, a carga viral começa a reduzir e o número de células CD4 aumenta. As pessoas que conseguiram atingir uma redução da carga viral para abaixo do nível de detecção, conseguiram o melhor resultado de tratamento.
Cada droga é prescrita em dose que mostrou ser mais eficaz, então, é importante que cada medicamento seja tomado exatamente como prescrito, sem omitir nenhuma dose.

Estratégias no Campo de Batalha


Fatores que influenciam a prescrição da terapia para HIV:

Quanto mais alta a carga viral, maior a probabilidade de que será iniciada a terapia.

Quase sempre o tratamento é iniciado quando aparecem os sintomas.

Classes dos Agentes Anti-retrovirais

Os análogos de nucleosídeo timidina, como o Zeritavir (d4T) e o Retrovir (AZT) atacam as células CD4 ativadas. O D4T é administrado como uma cápsula de 40mg duas vezes ao dia, enquanto a dose de AZT é de uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia.

Classes dos Agentes Anti-retrovirais

Classeda Droga
Atividade
Agentes
Posologia
Análogos de Nucleosídeos - Timidina Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas Zeritavir*
(d4T, estavudina)

Retrovir*
(AZT, zidovudina)
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia


Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia

Os análogos de nucleosídeo não timidina, como o Videx (ddI), Hivid (ddC) e Epivir (3TC) agem com maior eficácia nas células CD4 Inativas. A dose de Videx é de dois comprimidos de 100mg, duas vezes ao dia; a de ddC é de um comprimido de 0,75mg 3 vezes ao dia e a de 3TC é de um comprimido de 150mg duas vezes ao dia.

Classes dos Agentes Anti-retrovirais

Classeda Droga
Atividade
Agentes
Posologia
Análogos de Nucleosídeos - Timidina Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas Zeritavir*
(d4T, estavudina)

Retrovir*
(AZT, zidovudina)
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia


Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia
Análogos de Nucleosídeos - Não Timidina Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. Videx*
(ddI, didanosina)

Hivid*
(ddc, alcitabina)

EpivirTM
(3TC, Lamivudina)
Dois comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia


Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia


Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia

Os inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeo, como a delavirdina enevirapina, ligam-se à enzima transcriptase reversa e evitam que converta o RNA do HIV em DNA. A dose de nevirapina é de um comprimido de 200mg duas vezes ao dia, e de delavirdina é de 4 cápsulas de 100mg três vezes ao dia.

Classes dos Agentes Anti-retrovirais

Classeda Droga
Atividade
Agentes
Posologia
Análogos de
Nucleosídeos - Timidina
Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas Zeritavir*
(d4T, estavudina)

Retrovir*
(AZT, zidovudina)
Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia


Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia
Análogos de
Nucleosídeos - Não Timidina
Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. Videx*
(ddI, didanosina)

Hivid*
(ddc, alcitabina)

EpivirTM
(3TC, Lamivudina)
Dois comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia


Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia


Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia
Inibidores da Transcriptase reversa não-nucleosídeos Liga-se à enzima transcriptase reversa para evitar que o RNA do HIV se transforme em DNA do HIV. Viramune*
( Nevirapina)

Rescriptor
(delavirdina)

Um comprimido de 200 mg 2 vezes ao dia

Os inibidores da protease, como o Invirase (saquinavir), Crixivan (indinavir), Norvir (ritonavir) e Viracept (nelfinavir), evitam que a enzima protease organize e libere cópias de HIV da célula CD4 infectada. A dose de saquinavir é de três cápsulas de 200mg três vezes ao dia; de indinavir é de duas cápsulas de 400mg 3 vezes ao dia; de ritonavir é de seis cápsulas de 100mg duas vezes ao dia e de nelfinavir é de 2 cápsulas de 250mg 3 vezes ao dia.

Classes dos Agentes Anti-retrovirais

Classeda Droga
Atividade
Agentes
Posologia
Análogos de Nucleosídeos - Timidina Interfere no processo de construção do DNA do HIV principalmente nas células CD4+ ativadas Zeritavir*
(d4T, estavudina)


Retrovir*
(AZT, zidovudina)

Uma cápsula de 40mg 2 vezes ao dia



Uma cápsula de 300mg 2 ou 3 vezes ao dia
Análogos de Nucleosídeos - Não Timidina Interfere no processo de construção do DNA do HIV, principalmente nas células CD4+ inativas. Videx*
(ddI, didanosina)


Hivid*
(ddc, Zalcitabina)


EpivirTM
(3TC, Lamivudina)
Dois comprimidos de 100mg 2 vezes ao dia



Um comprimido de 0.75mg 3 vezes ao dia



Um comprimido de 150 mg 2 vezes ao dia
Inibidores da Transcriptase reversa não-nucleosídeos Liga-se à enzima transcriptase reversa para evitar que o RNA do HIV se transforme em DNA do HIV. Viramune*
( Nevirapina)

Rescriptor
(delavirdina)


Um comprimido de 200 mg 2 vezes ao dia
Inibidores da Protease Evita que cópias do HIV sejam feitas e liberadas com sucesso pelas células CD4+ infectadas. InviraseTM
(saquinavir)

CrixivanTM
(indinavir)

NorvirTM
(Ritonavir)

Viracept
(neufinavir)

Três cápsulas de 200mg 3 vezes ao dia


Duas cápsulas de 400mg 3 vezes ao dia


Seis cápsulas de 100mg 2 vezes ao dia

A Combinação Vencedora

Como diferentes drogas atacam a infecção por HIV das células CD4 de diferentes maneiras, os médicos podem prescrever duas ou mais drogas para ajudar a combater a doença. Atualmente, os médicos prescrevem, geralmente, uma combinação de drogas que inclui um análogo de nucleosídeo timidina e um análogo de nucleosídeo não-timidina, como o núcleo do tratamento. Algumas vezes, também acrescentam um inibidor de protease.
Os médicos têm menos experiência com inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeo; portanto, essas drogas não são tão prescritas quanto as outras classes de drogas. A terapia medicamentosa individualizada é baseada em vários fatores, incluindo a história do paciente com HIV e o conhecimento que o médico possui sobre o histórico clínico do paciente.

A Luta Contra a Resistência

Uma vez que uma pessoa infectada pelo HIV é submetida à terapia medicamentosa, é muito importante que a medicação seja tomada como prescrito - todas as doses, todos os dias - porque quando há omissões no tratamento, o vírus tem chance de "se recuperar".
Geralmente, o vírus HIV "muta" para cepas de vírus que são resistentes às drogas que estão sendo usadas contra eles. Mantendo a carga viral baixa ou em zero, há menos chances dessas mutações ocorrerem e se disseminarem.
Através da adesão à terapia, o paciente infectado pelo HIV dá ao vírus menos chance dele sofrer mutações para um vírus resistente à terapia. Isso porque, mesmo se alguns vírus mutantes sobreviverem, apesar de serem resistentes a uma droga, é improvável que sejam resistentes a todas as drogas que o médico prescreve. Através da adesão ao tratamento prescrito, a pessoa com HIV, se dá uma chance de viver mais e de uma forma mais saudável ... e com maior chance de vitória na Guerra Contra o HIV.

Fonte: Bristol-Myers Squibb Brasil http://www.bristol.com.br/

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Utilidade Pública HIV - AIDS