Cresce resistência do vírus HIV a medicamentos
Resistência
Um em cada cinco pessoas recém-infectadas com o vírus da
Aids apresenta resistência a remédios e coquetéis. A informação é da
Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA).
Após cinco anos de estudos, envolvendo cerca de 300 pacientes em 10 cidades
norte-americanas, os pesquisadores concluíram que o índice de contaminação
pelo HIV resistente a medicamentos mais do que duplicou durante o período.
O índice de contaminação com a variante do HIV resistente a medicamentos
saltou de 8% (1995-1998) para 22,7% (1999-2000), segundo a principal autora da
pesquisa e professora-assistente de medicina da universidade, Susan Little.
Estudos anteriores ao de Little indicavam prevalência de mutações virais
associadas a uma maior resistência em, no máximo, 11% dos pacientes
infectados.
Metodologia
De maio de 1995 a junho de 2000, 377 indivíduos com infecção primária de HIV
e que ainda não haviam recebido tratamento foram recrutados para o estudo.
Os participantes eram predominantemente homens brancos não hispânicos, cujo
risco de infecção por HIV estava relacionado a sexo sem proteção com homens
- um grupo no qual a resistência a medicamentos de combate ao HIV parece ser
mais prevalente, de acordo com os pesquisadores.
Amostras de sangue anteriores ao tratamento foram analisadas para determinar a
resistência clínica a 15 remédios contra o HIV hoje em uso. Além disso, as
amostras foram usadas para avaliar a resistência do vírus a coquetéis de
medicamentos múltiplos.
A resposta ao tratamento foi avaliada, a seguir, em 202 dos pacientes. Foi
encontrada resistência em pessoas tratadas com um único remédio e em pessoas
que recebiam poderosos coquetéis de múltiplos medicamentos.
"Isso indica a importância de testar rotineiramente a resistência a
medicamentos nos pacientes recém-infectados, de maneira a permitir a adoção
de um programa mais efetivo de tratamento em primeira linha", diz Richman,
diretor da divisão de AIDS e infecção por HIV do Sistema de Saúde de San
Diego.
Os pesquisadores estudaram o prazo necessário à supressão do vírus ou
fracasso virológico em todos os pacientes.
Ainda que a supressão viral tenha sido demonstrada em todos os pacientes exceto
um na altura da 24ª semana de tratamento, o tempo médio de supressão foi de
58 dias para os pacientes que não têm a mutação resistente a medicamentos
ante 88 para aqueles que portam o vírus mais resistente a medicamentos.
O tempo para o fracasso da terapia foi significativamente menor para os
portadores do HIV mais resistente a medicamentos.
Em resultados de pesquisas apresentados por Richman em dezembro de 2001 na
Sociedade Norte-Americana de Microbiologia, foi ressaltado que mais de três
quartos dos pacientes de HIV com carga viral mensurável em tratamento nos
Estados Unidos carregam variantes do vírus que são resistentes aos
medicamentos.
No artigo publicado na edição de agosto do "New England Journal of
Medicine", Richman, Little e sua equipe de pesquisa disseram que os
aumentos na prevalência de vírus resistentes a medicamentos podem estar
associados a uma transmissão mais freqüente do vírus resistente a pessoas recém-infectadas
em suas comunidades. O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde
dos Estados Unidos.
UOL= Fonte:ABRASP - www.abrasp.org.br
Daniel Borges 29/11/02