HIV pode ajudar pessoas submetidas a transplantes
BBC
Uma versão do HIV, sem o efeito prejudicial do vírus, está sendo testada
para prevenir a rejeição de corações transplantados.
O vírus que provoca a Aids é perigoso justamente porque possui a habilidade de
se unir ao próprio material genético da célula que infecta.
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, estão explorando
essa capacidade do HIV em órgãos transplantados, para que o sistema imunológico
de pessoas que recebem órgãos não os rejeitem.
Se a experiência funcionar, ela pode melhorar o prognóstico e aumentar o tempo
de vida de pacientes transplantados.
Cérebro e fígado
A técnica também está sendo testada em transplantes de cérebro e fígado -
dois órgãos campeões em transplantes e cuja falência tem forte origem genética.
"Eu preferiria que o HIV não existisse, mas o vírus nos deu a capacidade
única de transmitir genes a uma única célula", disse Andrew Lever, um
dos realizadores da experiência.
Há alguns anos, a equipe de Lever descobriu a capacidade que o HIV tem de
encher o material genético da célula com partículas do vírus.
Esse conhecimento agora está sendo usado para inserir genes terapêuticos que
ajudarão o organismo a se recuperar - e não infectá-lo.
Lever agora está testando o procedimento em ratos que receberam um coração
por meio de um transplante:
"Nós injetamos no coração dos ratos genes com uma molécula capaz de
suprimir seu sistema imunológico, para que o organismo dos animais não rejeite
o novo órgão. A idéia é fazer com que a região como um todo aceite melhor o
novo coração", explica Lever.
Os resultados são, para o pesquisador, muito bons até o momento.
Fonte: ABRASP - http://www.abrasp.org.br/
Daniel Borges 05/09/02