Jovens médicos
desconhecem prevenção à Aids
Dois de cada três médicos podem estar correndo risco de
pegar Aids de pacientes porque eles não conhecem os remédios que poderiam
protegê-los no caso de exposição ao vírus.
Acidentes que resultam em exposição ao HIV não são raros em hospitais -
muitas vezes causados por agulhas usadas em pacientes com a doença.
Depois da exposição ao HIV, no entanto, o tratamento com uma combinação de
remédios pode reduzir o risco de infecção.
Uma pesquisa feita no Saint Thomas Hospital, na Grã-Bretanha, mostrou que os médicos
recém-formados não conhecem o tratamento, chamado de PEP (profilaxia pós-exposição,
na sigla em inglês).
Ignorância surpreende
A grande maioria - 93% - tinha ouvido falar no tratamento, mas apenas 8% sabiam
o nome das drogas usadas e apenas três quartos dos jovens médicos tinham
conhecimento de que os remédios poderiam reduzir a chance de contaminação
pela doença.
O nível de ignorância sobre o assunto surpreendeu os autores da pesquisa,
principalmente porque três quatros dos entrevistas disseram já ter sido
expostos a material potencialmente infectado enquanto estavam trabalhando.
Uma parcela de 18% declarou ter procurado informação sobre esses remédios
depois de exposição ao HIV.
"É muito importante aumentar o nível de conhecimento sobre a exposição
profissionais entre os jovens médicos. Isso deve incluir informações sobre
como prevenir a exposição, primeiros socorros e quem contatar",
recomendam os autores da pesquisa.
Até o final de 1997, havia em todo o mundo 95 casos confirmados e 191 ainda em
investigação de trabalhadores na área de saúde contaminados com o HIV
enquanto estavam trabalhando. A maioria dos casos era em países desenvolvidos.
"Esses resultados são muito preocupantes, principalmente porque os
trabalhadores na área da saúde estão expostos a um risco muito maior de se
contaminar com um paciente com HIV do que a população em geral", afirmou
um porta-voz da Terrence Higgins Trust, uma entidade que trabalha com pacientes
com Aids e prevenção à doença. "É preciso mais treinamento para todos os funcionários, incluindo
enfermeiras", afirmou a porta-voz da entidade.
Fonte: ABRASP - http://www.abrasp.org.br/
Daniel Borges 23/11/01