Para cientista, Aids pode matar
mais que Peste Negra
BBC - Brasil
Cientistas têm tido dificuldade em encontrar vacina
Um especialista no tratamento da Aids disse que a doença poderá se tornar a maior pandemia da história, caso as 40 milhões de pessoas contaminadas pelo vírus HIV não recebam medicamentos que possam prolongar sua expectativa de vida.
Segundo Peter Lamptey, presidente do Instituto Internacional Saúde da Família, baseado nos Estados Unidos, em número de vítimas fatais a Aids provavelmente ultrapassará a Peste Negra - tragédia que matou 40 milhões de pessoas no século 14.
Desde o início da década de 80, a Aids já deixou 25 milhões de mortos. Autoridades de saúde estimam que cerca de 14 mil pessoas são contaminadas diariamente pelo vírus HIV, que provoca a Aids.
Cerca de 95% das novas infecções por HIV são registradas nos países mais pobres do mundo, onde não existe acesso imediato a medicamentos essenciais.
Peste Negra
A Peste Negra atingiu a Europa e a Ásia no século 14. Segundo historiadores, a tragédia foi causada por uma bactéria carregada por ratos e transmitida aos seres humanos por meio da picada de pulgas, que antes haviam atacado os roedores.
"HIV/Aids provavelmente ultrapassará a Peste Negra como a pior pandemia de todos os tempos, já que sem o acesso a drogas a maioria dos 40 milhões que vivem com o HIV morrerá", escreveu Peter Lamptey no British Medical Journal.
Lamptey afirmou ainda que é preciso obter com urgência uma cura financeiramente viável, assim como "intensificar a prevenção, o atendimento e os programas de apoio".
O cientista disse ainda que o mundo também necessita urgentemente de uma "vacina eficaz e segura".
Programas
Segundo Lamptey, programas que visam mudar o comportamento da população e promover a utilização de preservativos e o tratamento de doenças sexualmente transmissíveis são eficazes.
Mas ele diz que essas iniciativas são gravemente prejudicadas pela falta de recursos financeiros de muitos países.
"Esforços de prevenção em larga escala têm sido bem-sucedidos apenas em poucos países, principalmente por causa de falta de recursos e de compromisso internacional."
Segundo cientistas da África do Sul, cujo estudo também foi publicado no British Medical Journal, uma vacina acessível contra o HIV deverá estar disponível num período de sete a dez anos.
Mas o autor do texto, Malegapuru William Makgoba, diz que para ser bem-sucedido esse esforço precisa da efetiva colaboração de setores políticos, da ciência e de parcerias entre os setores público e privado.
Laboratórios
O presidente do Instituto para Melhoria no Atendimento de Saúde, de Boston (EUA), Donald Berwick, escreveu que os laboratórios farmacêuticos podem ter a chave na luta contra a Aids.
Ele diz que drogas modernas podem aumentar a vida de pessoas com HIV/Aids em anos, até mesmo décadas, mas seus altos custos são sempre citados como a razão pela qual países pobres não conseguem criar boas infra-estruturas para o tratamento dos pacientes.
Mas o presidente do laboratório GlaxoSmithKline, Richard Sykes, afirma que é muito fácil classificar o custo como a maior dificuldade para os países pobres.
Zackie Achmat, da Campanha de Ação por Tratamento, da África do Sul, diz que "falta vontade política" à comunidade internacional. Ele defendeu a formação de um fundo global para financiar programas tanto de tratamento como de prevenção à Aids.
Fonte: ABRASP - http://www.abrasp.org.br/
Daniel Borges 28/01/02