Vacina contra Aids pode sair em cinco anos
BBC
Tratamento é caro demais para a maioria dos doentes
O laboratório farmacêutico americano VaxGen deve anunciar nesta segunda-feira,
na 14ª Conferência Internacional sobre a Aids em Barcelona, na Espanha, que
pode lançar uma vacina contra a doença dentro de cinco anos.
A maioria das pesquisas para uma vacina está em estágio inicial e, segundo
previsões, uma droga preventiva só seria possível dentro de dez anos.
Outras empresas pretendem apresentar um novo tipo de tratamento. O laboratório
suíço Roche e a firma americana de biotecnologia Trimeris afirmam que criaram
um medicamento que deve atacar o vírus HIV antes que ele entre nas células
humanas, e não depois, como é o caso de todos os 16 medicamentos atualmente
aprovados para o tratamento da Aids.
Mas apesar dos avanços científicos promissores, há indicações de que a
epidemia está longe de seu fim. Peter Piot, diretor-executivo da Unaids (agência
da ONU para o combate à Aids), afirmou no domingo que os chefes de governo de
países que não levam a luta contra a doença a sério deveriam ser retirados
de seus cargos. A conferência deve durar seis dias.
Vacinas
O correspondente da BBC em Barcelona, Chris Hogg, afirma que apenas oito vacinas
estão sendo testadas em seres humanos, 21 anos após a luta contra a Aids ter
começado.
A VaxGen diz que os primeiros resultados de seu último estágio de testes em
seres humanos devem estar prontos no começo do ano que vem.
Para que o produto obtenha licença, a vacina deve se mostrar eficaz em pelo
menos um terço dos pacientes.
O organismo que promove pesquisas, a Iniciativa Internacional para a Vacina
contra a Aids, adverte que é necessário que os preparativos para a distribuição
de uma vacina eficaz comecem agora e destaca a importância de se fazer com que
a vacina seja barata.
Já a Roche Holding AG da Suíça e a empresa americana Trimeris Inc afirmam que
seus testes mostraram que o medicamento que está sendo chamado de T-20 destrói
o vírus HIV presente no organismo de muitos pacientes ao impedí-lo de entrar
nas células sangüíneas.
A droga, injetável, deve ser comercializada a partir do primeiro trimestre de
2003.
Falta de informação
Na conferência da Unaids deve ser apresentado ainda um estudo mostrando que
ainda existe falta de informação sobre a doença mesmo nos Estados Unidos.
Segundo o estudo feito em grandes cidades americanas, três em cada quatro
jovens homossexuais ou bissexuais portadores do vírus HIV não sabem que são
soropositivos.
A pesquisa, realizada por centros de controle e prevenção de doenças nos
Estados Unidos, envolveu quase 6 mil homens entre as idades de 15 e 29 anos.
Situação muito séria
Peter Piot classificou como muito séria a situação de alguns países que não
reconhecem oficialmente a gravidade do problema.
Não podemos ficar parados enquanto a Aids se espalha pelos países mais
populosos do mundo, como China, Indonésia e Bangladesh, disse o
diretor-executivo da Unaids em entrevista à BBC.
O encontro em Barcelona reúne cerca de 15 mil pessoas, entre médicos,
cientistas, pacientes, políticos e representantes de instituições
beneficentes.
A conferência tem o objetivo de gerar iniciativas que evitem a confirmação de
uma estimativa da ONU que prevê 68 milhões de mortes por causa da Aids até
2020.
O relatório divulgado pela Unaids na semana passada, afirmando que a epidemia
ainda está apenas em estágio inicial e se espalhando rapidamente pelo mundo,
deve ser o principal assunto das discussões em Barcelona.
Também é esperado um movimento para que os países ricos ajudem mais os países
pobres, que têm mais dificuldades de lutar contra a doença.
Antes do início da conferência, manifestantes foram às ruas pedir a quebra
dos direitos de patentes para remédios contra a aids em países em
desenvolvimento, para que os medicamentos cheguem a preços mais acessíveis à
população.
Fonte: ABRASP - http://www.abrasp.org.br/
Daniel Borges 08/07/02