Vacina
universal contra a Aids passa em testes
LONDRES
A primeira vacina capaz de prevenir a infecção
por todos os subtipos do vírus da Aids, o HIV, foi testada com sucesso em
macacos, a última etapa de experimentos antes de se chegar ao ser humano.
Desenvolvida por um dos grupos de pesquisa de Aids mais importantes do mundo, a
vacina é o primeiro imunizante teoricamente universal.
A principal estratégia para criar vacinas contra a Aids é identificar uma
proteína inócua da superfície do vírus e usá-la para estimular o sistema
imunológico. Quando injetada no organismo, a proteína sensibiliza o sistema
imunológico, que produz defesas específicas para destruí-la, os anticorpos.
Dessa forma, se a pessoa vacinada for contaminada pelo vírus, este será
imediatamente identificado e atacado com anticorpos. O ataque imediato impedirá
que o microorganismo se multiplique e cause doença.
O problema das vacinas contra a Aids é que o HIV sofre mutações com freqüência.
Com isso, uma proteína presente num subtipo do vírus pode simplesmente não
existir em outro. Em conseqüência, ao infectar uma pessoa vacinada, o vírus não
é reconhecido e atacado a tempo.
O grande salto da equipe de de Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de
Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, foi identificar uma proteína
da superfície do HIV essencial à sobrevivência do vírus e que, por isso,
estaria presente em todos os subtipos. Fauci usou a proteína para produzir uma
vacina.
Num estudo publicado na revista britânica “Nature Medicine”, Fauci e seus
colegas disseram que todos os macacos vacinados não contraíram sintomas da
Aids ao serem inoculados com o vírus símio da Aids, o SIV.
Fauci afirmou que está preparando os procedimentos para testes com seres
humanos, que devem acontecer em 2002.
Uma outra pesquisa publicada na “Nature Medicine” explica mecanismos usados
pelo HIV para escravizar as células humanas. O estudo da Universidade de
Erlangen, na Alemanha, se deteve numa proteína do HIV chamada nef. Essa proteína,
segundo os cientistas, não só impede que a célula infectada pelo vírus
morra, quanto ainda a torna menos vulnerável ao ataque das defesas naturais do
organismo.
Fonte: ABRASP - http://www.abrasp.org.br/
Daniel Borges 01/11/01